Você pode e deve denunciar:

  • Intoxicações de povos, populações e trabalhadoras/es por agrotóxicos
  • Pulverização aérea com ocorrência de danos ou em desacordo com as normas técnicas
  • Risco ou impactos a comunidades indígenas, tradicionais ou camponesas
  • Impactos à biodiversidade, meio ambiente, nascentes e mananciais
  • Descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos
  • Mortandade de abelhas, insetos e outros animais
  • Transporte e armazenamento irregular de agrotóxicos
  • Uso de agrotóxicos em áreas urbanas e capina química urbana
  • Contrabando e uso de agrotóxicos ilegais
  • Exposição de trabalhadores e trabalhadoras

Guerra Química no Maranhão: o caso das comunidades de Carrancas e Araçás

2023
Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga dados parciais de conflitos no campo brasileiro do 1º semestre de 2023. Acesso: https://encurtador.com.br/WDjC https://contraosagrotoxicos.org/guerra-quimica-intoxica-comunidades-no-maranhao/ RAMA denuncia contaminação por agrotóxicos, adoecimento e violações de direitos em comunidades tradicionais de Buriti (MA). Acesso: https://encurtador.com.br/olMK https://cptnacional.org.br/2024/05/22/agrotoxicos-maranhao/ https://amazoniareal.com.br/guerra-quimica-intoxica-comunidades-no-maranhao/

O estado do Maranhão tem registrado um aumento alarmante nos casos de intoxicação por agrotóxicos e violações de direitos humanos, impulsionados pela expansão desenfreada do agronegócio. Comunidades tradicionais enfrentam danos severos à saúde, além da contaminação de plantações, animais e recursos hídricos (rios, córregos e poços). Um levantamento da Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA) e da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Maranhão (Fetaema) identificou que 39 comunidades em 15 municípios sofrem impactos socioambientais diretos causados pelo lançamento de agrotóxicos.

A pulverização aérea tem sido descrita como uma forma de “guerra química” contra as populações tradicionais, inviabilizando seus modos de vida em seus territórios. Segundo o  Relatório Conflitos no Campo – 2023, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o envenenamento de rios, solo, animais, plantações e da população agravou as tensões agrárias: o número de vítimas saltou de 418, no primeiro semestre de 2022, para 779 no mesmo período de 2023. Os danos causados pela contaminação por agrotóxicos chegam a 327 casos documentados. 

No município de Buriti, as comunidades de Carrancas e Araçás exemplificam essa tragédia. Visitas técnicas realizadas pela RAMA no primeiro semestre de 2025, descritas no Relatório Técnico: Análise Situacional da Saúde dos Moradores de Carrancas e Araçás, revelaram um quadro de intoxicação aguda, quando houve pulverização área de veneno, e crônica. Os moradores relatam cefaleia, náuseas, irritações cutâneas e crises respiratórias graves, como asma. O cenário é agravado pela precariedade do atendimento médico e pela vulnerabilidade socioeconômica das vítimas, que raramente conseguem custear os medicamentos necessários. As crianças são as mais vulneráveis, sofrendo com a exposição persistente através do contato direto com o solo e o ar contaminados.

Nesta região, a pulverização ocorre por drone, avião e gafanhoto e, segundo relatos, não há período indicado para pulverizar, ocorrendo em qualquer hora do dia e por dias seguidos. O prefeito da cidade de Buriti é um produtor de soja.

Nessa região, a pulverização é realizada via aviões, drones e autopropelidos (“gafanhotos”), ocorrendo de forma ininterrupta, sem respeitar horários ou normas técnicas. No povoado Araçá, uma mortandade massiva de peixes foi registrada em março de 2024, atribuída ao lançamento indiscriminado de agrotóxicos sobre lavouras de soja. No mesmo período, comunidades em Timbiras (São José, Baixa Nova, Morada Nova, Buriti, Capinal, Santa Vitória, Passa Mal e Maresia) e Codó (São Paulo, Axixá, Poraquê, Santa Joana, Raposa, Boqueirão dos Vieiras e São Benedito dos Colocados) — incluindo territórios quilombolas — relataram ataques aéreos sucessivos. Moradores denunciam que aviões do Grupo Agrícola Macedo despejaram veneno sobre roças, moradias e margens de rios, comprometendo a segurança hídrica e alimentar da população.

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