O caso aconteceu em 2018, na comunidade rural de Boa Vista do São Roque, em Espigão Alto do Iguaçu (PR). A área afetada abriga uma unidade escolar, um posto de saúde, um acampamento do MST e diversos sitiantes. Na ocasião, a pulverização terrestre do herbicida Paraquate — classificado como altamente tóxico — em uma lavoura de milho vizinha desrespeitou os limites de distância mínima de segurança.
A pulverização ocorreu por via terrestre, tendo sido aplicada por pulverizador autopropelido, conhecido como gafanhoto. A dispersão do agrotóxico pelo vento criou uma nuvem tóxica que atingiu diretamente a escola, onde crianças brincavam no parquinho, uma funcionária trabalhava na área externa e uma aula de educação física ocorria na quadra da escola. O episódio resultou na intoxicação aguda de 96 pessoas, das quais 52 eram crianças. As vítimas apresentaram sintomas graves, como cefaleia intensa, dores abdominais, tontura e vômitos.
Além do dano à saúde humana, houve prejuízo ambiental e econômico: um agricultor local perdeu 30% de sua safra de milho e teve sua horta interditada pela Vigilância Sanitária. A caixa d’água da comunidade, que estava parcialmente aberta, também foi contaminada; apesar de ter sido lavada, não foram realizados testes laboratoriais para garantir a potabilidade. O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e pela Adapar, que multou o proprietário da área.