Este caso emblemático representa o maior desmatamento químico já registrado no bioma Pantanal, em Mato Grosso. A prática, uma modalidade de degradação ambiental silenciosa, utiliza herbicidas de alta potência para matar a vegetação nativa gradualmente. Ao todo, 81,2 mil hectares de mata foram pulverizados por via aérea com um coquetel de 25 agrotóxicos, incluindo substâncias como Imazamox, Picloram, 2,4-D e Fluroxipir.
O crime ocorreu no município de Barão de Melgaço e foi alvo da Operação Cordilheira, uma investigação de dois anos conduzida pela Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema). O principal investigado é o pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, cujas propriedades abrangem as áreas degradadas.
O impacto ambiental é severo: devido às características de alagamento do Pantanal, os agrotóxicos podem ter sido carregados pelas águas, contaminando a fauna e a flora em grandes extensões pelo bioma pantaneiro. A dispersão aérea pode ter atingido áreas de pastagem, o que poderia gerar um ciclo de contaminação afetando desde o gado até os seres humanos que consomem a carne.
Como consequência ao crime ambiental, a Sema-MT aplicou uma multa recorde de R$ 2,8 bilhões. Somando-se as multas e os custos de reparação ambiental, o prejuízo ao criminoso ambiental ultrapassa R$ 5,2 bilhões — valor que excede o valor de mercado de todas as propriedades do pecuarista no bioma.
Além da Polícia Civil, os órgãos envolvidos foram a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), Ministério Público Estadual (MPE), a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT).