Você pode e deve denunciar:

  • Intoxicações de povos, populações e trabalhadoras/es por agrotóxicos
  • Pulverização aérea com ocorrência de danos ou em desacordo com as normas técnicas
  • Risco ou impactos a comunidades indígenas, tradicionais ou camponesas
  • Impactos à biodiversidade, meio ambiente, nascentes e mananciais
  • Descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos
  • Mortandade de abelhas, insetos e outros animais
  • Transporte e armazenamento irregular de agrotóxicos
  • Uso de agrotóxicos em áreas urbanas e capina química urbana
  • Contrabando e uso de agrotóxicos ilegais
  • Exposição de trabalhadores e trabalhadoras

Guarani Kaiowá envenenamento dos territorios indígenas no Mato Grosso do Sul

Os povos indígenas Kaiowá e Guarani sofrem, de forma reiterada e sistemática, com a pulverização de agrotóxicos sobre seus territórios de retomada, especialmente no estado de Mato Grosso do Sul, onde o volume utilizado pelo agronegócio é extremamente elevado. Nesse contexto, o conflito fundiário deixa de ser apenas uma disputa por terra e passa a se configurar como uma verdadeira guerra química, na qual o uso de agrotóxicos opera como instrumento de intimidação, expulsão e adoecimento coletivo.
Há mais de cinco anos, os povos indígenas da região denunciam o avanço violento do agronegócio sobre as aldeias e áreas de retomada. São inúmeros os relatos de pulverização aérea de agrotóxicos sobre os territórios, incluindo casos de intoxicação de crianças e adolescentes que se encontravam próximas às estradas no momento em que aviões agrícolas realizavam a pulverização sobre lavouras de soja vizinhas às comunidades indígenas.
Diante da recorrência e da gravidade dessas violações, os Kaiowá e Guarani vêm buscando respostas e providências junto às autoridades públicas, em especial junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), visando conter a pulverização de agrotóxicos nas proximidades das comunidades.
Desde o dia 21 de setembro de 2025, as comunidades Kaiowá e Guarani enfrentam despejos forçados sem ordem judicial, executados pela polícia estadual, além de ataques promovidos por homens armados. Soma-se a esse cenário a instalação de uma base militar na sede da fazenda em conflito, bem como o uso cotidiano de drones que sobrevoam a área de retomada e a aldeia da Terra Indígena Guyraroká, que ocupa uma área de aproximadamente 50 hectares contígua à fazenda, intensificando o clima de cerco, intimidação e vigilância permanente.
Tramitam ações judiciais ajuizadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública da União (DPU) que requerem a apuração dos responsáveis e a adoção de medidas urgentes diante das pulverizações aéreas (aviões) e terrestres (tratores) de agrotóxicos sobre as aldeias. Casas, roçados, fontes de água e até a escola indígena têm sido alvos recorrentes do que órgãos e autoridades de direitos humanos já reconhecem como ataques químicos contra populações indígenas.
Operações oficiais confirmam a gravidade da situação. Em ação realizada no dia 1º de julho de 2025 pelo Ibama e pela Força Nacional, com apoio das Polícias Judiciária e Técnico-Científica, foram apreendidos 202 quilos de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai. Os produtos estavam armazenados em depósitos clandestinos no interior de uma fazenda localizada em área declarada como Terra Indígena Guyraroká, evidenciando a ilegalidade e o risco extremo a que as comunidades estão submetidas.
Por sua vez, os Guarani e Kaiowá acumulam vasto material probatório, incluindo registros em vídeo que documentam a pulverização de agrotóxicos sobre as aldeias. Há registros contínuos de despejos de venenos sobre a aldeia da Terra Indígena Guyraroká desde, ao menos, o ano de 2018. As denúncias foram encaminhadas a instâncias municipais, estaduais, federais e internacionais, sem que medidas efetivas tenham sido adotadas para cessar a violência.
“Chamam a gente aqui de capim-amargoso, resistente ao veneno, que só se arranca com a enxada. Começou ontem o despejo, às três da tarde, e continuou hoje pela manhã. O cheiro é insuportável, um horror. Infelizmente isso se normalizou, só que, diferente do amargoso, nós somos seres humanos”, denunciou Erileide Guarani Kaiowá, em 30 de outubro de 2024.
Em 2022, Erileide levou essa denúncia às Nações Unidas, em Genebra, durante a Revisão Periódica Universal (RPU), mecanismo central do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Na ocasião, a Aty Guasu — a Grande Assembleia Guarani e Kaiowá — caracterizou formalmente as pulverizações como ataques químicos promovidos contra o povo indígena.
Casos de intoxicação aguda envolvendo crianças e adolescentes reforçam a gravidade da situação. Em maio de 2019, quatro crianças — de um e dois anos — e dois adolescentes, de 17 e 18 anos, precisaram de atendimento médico após serem intoxicados por calcário e agrotóxicos utilizados em área da Fazenda Remanso, localizada a apenas 50 metros da escola indígena. A comunidade registrou o episódio em imagens, que integram o conjunto de denúncias apresentadas às autoridades.

2018
https://cimi.org.br/2025/10/indigenas-guarani-e-kaiowa-bloqueiam-estrada-para-impedir-pulverizacao-de-agrotoxico-na-ti-guyraroka/

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