Você pode e deve denunciar:

  • Intoxicações de povos, populações e trabalhadoras/es por agrotóxicos
  • Pulverização aérea com ocorrência de danos ou em desacordo com as normas técnicas
  • Risco ou impactos a comunidades indígenas, tradicionais ou camponesas
  • Impactos à biodiversidade, meio ambiente, nascentes e mananciais
  • Descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos
  • Mortandade de abelhas, insetos e outros animais
  • Transporte e armazenamento irregular de agrotóxicos
  • Uso de agrotóxicos em áreas urbanas e capina química urbana
  • Contrabando e uso de agrotóxicos ilegais
  • Exposição de trabalhadores e trabalhadoras

Planalto Santareno: avanço da soja e contaminação por agrotóxicos

2021
https://www.tapajosdefato.com.br/noticia/1547/tribunal-popular-em-santarem-pa-condena-estado-e-agronegocio-por-lguerra-quimicar-contra-os-povos-da-amazonia https://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/noticias-pa/mpf-aciona-justica-e-pede-plano-urgente-de-protecao-contra-agrotoxicos-no-planalto-santareno-pa

O avanço da monocultura de soja no Planalto Santareno — território historicamente ocupado por povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e extrativistas — tem intensificado o uso de agrotóxicos na região. Essas populações mantêm sistemas agrícolas próprios, baseados na diversidade produtiva e no uso sustentável do território, mas enfrentam a pressão crescente da fronteira agrícola. 

Situado a 42 km de Santarém (PA), o Planalto abriga a Terra Indígena Munduruku e Apiaká, cujas cinco aldeias sofrem diretamente os impactos socioambientais da expansão do agronegócio da soja com uso intensivo de agrotóxicos. 

A pulverização aérea, principal método de aplicação de veneno nas áreas de plantio da soja, consolidou-se como um instrumento sistemático de violação de direitos humanos. A prática provoca intoxicações agudas e crônicas em comunidades escolares, agricultores familiares, população indígena e quilombolas, com impactos severos e duradouros à saúde e ao meio ambiente.

Laudos da Polícia Federal comprovam a gravidade dos agrotóxicos na região: na Aldeia Açaizal, lavouras situam-se a apenas seis metros das casas, sem quaisquer barreiras de proteção, como faixas de amortecimento ou quebra-ventos. Imagens do processo revelam, inclusive, reservatórios de água comunitários adjacentes às plantações. 

Análises de solo e exames laboratoriais conduzidos pela UFOPA e pelo INCT/Odisseia confirmaram um “coquetel tóxico” persistente. Substâncias como glifosato (presente em 100% das amostras de urina analisadas), atrazina e parationa metílica contaminaram o solo, a água e os corpos dos moradores. Pesquisas de neurociência da UFOPA identificaram até mesmo déficits na discriminação de cores entre a população local, um sintoma precoce de danos neurofisiológicos por exposição crônica.

A contaminação da Escola Vitalina Motta, em Mojuí, e o cerco químico imposto às aldeias de Açaizal, Aparador, Ipixuna e Pau D’Arco, ao Quilombo Bom Jardim e a outras comunidades do Planalto materializam um projeto agrícola que viola os direitos à vida, à saúde, ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, à territorialidade e à autodeterminação dos povos.

Somada aos danos à saúde humana e do meio ambiente, há uma “omissão do estado do Pará deliberada”. A ausência de regulamentação para a pulverização terrestre e a ineficiência da fiscalização ambiental perpetuam a impunidade e deixa as comunidades desprotegidas.  Soma-se a isso a falência dos órgãos de fiscalização ambiental e sanitária, que transforma a impunidade em regra e legitima a continuidade da violência química.

O Conselho Indígena Munduruku e Apiaká (CIMAP) denuncia que o veneno atinge igarapés e açaizais, provocando o desaparecimento de espécies vitais para a segurança alimentar e cultural, como o piquiá, o uxi e a pupunha. O cenário materializa um “cerco químico” que ameaça a autodeterminação e a vida dos povos do Planalto Santareno.

Apesar desse cenário, o Ministério Público Federal aponta que a inércia estatal persiste mesmo diante do crescimento de 600% no uso de agrotóxicos na região.

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