Na zona rural de Jardinópolis, interior de São Paulo, um avião pulverizou uma área de plantio de cana-de-açúcar a uma distância inferior à recomendada pelos órgãos responsáveis, sendo de 250 metros. Após a aplicação, houve uma deriva de agrotóxicos que atingiu a mata onde havia 30 caixas de abelhas do tipo Apis mellifera (abelha-melífera), causando a morte dos animais.
O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), do Ministério Público do Estado de São Paulo, moveu um processo que destacou o impacto ambiental significativo, já que as abelhas desempenham papel fundamental na polinização e manutenção da biodiversidade local.
Através de perícia e testes laboratoriais, o GAEMA comprovou que o agrotóxico utilizado foi o inseticida Ampligo, fabricado pela Syngenta. Embora o produto seja amplamente utilizado no controle da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), a literatura científica alerta para os efeitos tóxicos de seus componentes isolados.
A Ação Civil Pública movida pelo GAEMA foi atendida e o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou a Usina Bazan S/A ao pagamento de uma indenização de R$2.424.240,00. A sentença também proibiu a aplicação de agrotóxicos a menos de 250 metros de mananciais ou em desacordo com as normas técnicas, sob pena de multa de R$ um milhão por descumprimento.